Sente a História nas tuas mãos

 

No dia 3 outubro de 2014, o Diretor da Nova Acrópole Nacional, o Prof. José Carlos Fernandez veio à Nova Acrópole de Coimbra, proferir a conferência “Sente a História nas tuas mãos”.

Tratou-se de uma viagem no tempo, através de objetos arqueológicos, pertencentes a várias civilizações, Egípcia, Suméria, Celta, Maia, Romana, Ibérica, e Africana. Objetos que passaram de mão em mão, de modo a fazer sentir, percecionar  a sua riqueza, antiguidade e simbologia. O poder da sensibilidade, ativado através do toque, que nos fez transportar para outros tempos e vivências …

O Ser Humano, para além das suas necessidades fisiológicas, tem outros três aspetos que reclamam a sua atenção para, quando a consciência desperta, o conduzir à unidade consigo mesmo, com os demais, e o Universo.

A Primeira respeita à Ética, ou escala de valores, que impõe o conhecimento de Si, e procura desenvolver o Ser Moral em cada um dos Seres Humanos, para que, não se perca no jogo interior da mente saltitante, e se converta num mero vegetal, ou animal.

A Segunda vertente considera a relação harmónica com o outro, implica saber que os outros também são o centro do universo, tal e qual cada um de nós o é, e implica ainda saber que as pessoas se mantêm unidas por interesses recíprocos, ou se afastam pela sua falta, ou discrepância, sendo certo que, nos mantemos sempre unidos na presença e prossecução de um ideal elevado comum. É importante relembrar que, numa verdadeira sociedade, a harmonia das relações humanas assenta na justiça, é neste ideal sociopolítico que se baseia o espírito de união, a força para construir para o bem de Todos. Hoje, assistimos a uma falência desta força, a uma falta de coesão, cuja presença ou exercício, desencadeia uma força inabalável, necessária para reconstruir uma cidade destruída por um terramoto, físico ou espiritual…. Perdeu-se a dimensão da Polis (à medida da Antiga Grécia), a parte mais alta da cidade (ou do Homem), onde os templos dedicados aos Deuses se erigiam, onde o homem se recolhia e se encontrava com o Ser Divino em si.

Em terceiro lugar, encontra-se a vertente ou o eixo relativo à História. O Ser Humano tem uma necessidade intrínseca de deixar uma marca na História. Através da obra realizada, o Homem deixa a sua pegada no Tempo. Se não o fizermos, não nos sentimos bem. Há uma necessidade de ouvir a História, que nos fará acordar a necessidade de fazer também História. Ao observá-la, a Alma desperta, e também quer fazer parte. As dificuldades da Alma Humana são as mesmas ao longo dos Tempos, apenas mudam as circunstâncias. Aprendemos com os erros, e por isso, é bom não perder o olhar dos Rastos da História. A nossa mente abre-se, assim, a novas soluções, mais sábias, que nos podem conduzir por novos e melhores caminhos. A vontade de ser melhor, de se superar a si mesmo, de transcender o plano material. Aprender a refletir sobre a História é fundamental, destrói-nos o orgulho e a arrogância interiores. Não se pode viver bem, se não aprendermos a morrer por algo.

A vontade humana precisa de uma veste para fazer História. E, a História é composta por uma série de fios que se tecem, e formam um enorme tecido. Nele estão fatores religiosos, políticos, e culturais. Os motores da História são os sonhos do Homem, que fazem e desfazem a História.

Enfim, a História é a encarnação da vontade humana no Tempo.

Sentir a História nas mãos…. foram várias as relíquias apresentadas pelo Prof. José Carlos Fernandez, que nos permitiu sentir uma a uma, de mão em mão:

Um pequeno machado celta em pedra (sec. II ou III a. C.), símbolo da Alma que se liberta da matéria, através do caminho guerreiro, símbolo de poder.

Um pequeno touro da cultura do Vale do Indo, com cerca de 5 mil anos, símbolo da Alma da Natureza.

Um colar fenício, povo navegante, fundador de vários povos, muito trabalhador, com grande capacidade para o comércio, que chegou a Àfrica, e possivelmente à América, e com uma enorme sensibilidade artística.

Uma moeda ibérica, que nos recorda o conceito de solidariedade. Os romanos apelidaram os povos da Península Ibérica de Iberos, o que nos leva à palavra latina “solidurius” ou os que são devotos ao seu líder, e morriam pelo seu chefe. Tratava-se de uma espécie de fraternidade, na qual, depois de o Chefe estar morto, a vida dos seus “solidurius” não tinha mais sentido. Viriato desenvolveu muitos “solidurius”, que tinham que passar por provas muito duras, para serem admitidos na fraternidade.

Um colar inca ou pré-inca, em pedra lápis lazúlis, associado à cultura “Tiahuanaco”, um símbolo de dignidade. Antes o poder não estava nas mãos de quem tinha dinheiro, mas de quem tinha direito a esse poder. O uso das pedras preciosas e mais tesouros implicavam uma responsabilidade social, o seu uso reconhecia alguém com aptidões, verdadeiramente preparado para o exercício do poder, que encarava a vida como um serviço aos demais, e o poder associado ao dever e sacrifício, eram os Homens responsáveis pela integridade moral. E hoje como é??

Foram momentos da grande sabedoria, que nos levaram a olhar a História, a sentir o peso, e o significado de algumas pegadas deixadas pelo Homem no Tempo e no Espaço, as duas grandes coordenadas da vida na Terra.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *