Viagem Fotográfica ao Nepal – uma viagem de dois caminhantes

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No dia 27 de Janeiro de 2017, na sede da Nova Acrópole em Lisboa, assistiu-se à Viagem ao Nepal – A experiência de 2 caminhantes. Uma tertúlia fotográfica com sala cheia, que testemunhou a aventura da Mariana Esteves, (filosofa e professora na Nova Acrópole de Lisboa) e do João Pedro Pio (Biólogo, escritor e aluno da Nova Acrópole de Lisboa) nos 22 dias da sua viagem ao Nepal.

A viagem de 32 horas de avião até Kathmandu, começou com roupa prática e 1 mochila às costas, fez-se escala em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, onde contactaram com um povo, ordenado e ocidentalizado, impondo ainda assim que a Mariana usasse abaya na sua visita à mesquita Sheith Zaied.

De Abu Dhabi, seguiram para Kathmandu, capital do Nepal. Ai estiveram 2 dias no contacto com uma cidade muito povoada desordenada e barulhenta, com muito comércio de rua, uma cidade tão poluída que obriga ao uso de máscaras. Provaram e amaram as “momo”! Apanharam o festival anual, Kukur Tihar, 4 dias engalanados e iluminados, em que humanos e animais usam colares coloridos, e o dia e a noite se vivem em festa e dança dedicados ao corvo, ao cão, ao búfalo e à vaca.

Tirado o visto para o Trekking, viajaram de kathmandu para Pokhara de autocarro e, conduzidos no táxi do Krishna, deram início à sua caminhada pelos trilhos do Anaphurna, em Phedi. Foram  5 dias de subidas e descidas, pontes de madeira e corda, desfiladeiros assustadores, paisagens inigualáveis de floresta e animais precedidas por aridez e dourado da Montanha, onde o sol se escondia às 15:00, dando lugar ao nevoeiro e ao gelo. Foram 4.000 metros de escadas, cansaço, esforço, alegria na chegada ao que se pensava ser o fim e era o meio, frio e o encontro com Budha (escavado na montanha). Encontros de ânimo com outros caminhantes ou conversas filosóficas com amigos de caminho 2 Belgas e 1 Indiano, durante 4 horas. Encontros com os alpinistas, determinados em subir adiante. Foi o contacto com uma realidade que contrastava com a beleza do majestoso Himalaias, carregadores, homens magros que transportavam 90 kg de peso, às costas, sustentado por uma fita na testa. Carregadoras meninas, que retiradas às famílias são levadas para a Free Sister uma ONG que recebe donativos e as coloca a carregar mochilas de Turistas, nos trilhos. Perceberam ser comum a doação ou venda dos filhos para trabalhos domésticos que acabam na prostituição ou no destrato.

Terminado o Trakking, carimbado o visto, regressaram a Pokhara, visitaram os seus templos hindus e seguiram rumo a Bharatpur e ao Chitwan National Park, 30º de calor na fronteira com a India. Pernoitaram, uns dias, num resort em comunhão com a natureza. Fizeram um safari a pé e de canoa na companhia de um guia destemido, aproximando-se de um rinoceronte, de crocodilos, encontram um Galeal (crocodilo que se alimenta de peixes) cruzaram-se com pássaros, viram pegadas de elefantes, as marcas de ursos, um veado macho que vigiava as fêmeas e ouviram falar de um tigre, sem que o tenham visto. Visitaram um centro de criação de Elefantes e ficaram angustiados pela tortura a que estão sujeitos estes nobres animais cujo uso é divertir e passear turistas. A Mariana reaprendeu a andar de bicicleta!

Última etapa da viagem, regresso a Kathmandu.

Visitaram a parte histórica da cidade ainda devastada pelo terramoto de Abril de 2015, visível nos templos semi-destruídos ocupados por comerciantes e nas ruinas em reconstrução. Visitaram o Monkey Temple, onde os macacos são os donos das oferendas ao Deus Rama.

Visitaram o Pashupatinath, um complexo templo hindu, que é atravessado pelo Rio Bagmati, considerado irmão do Ganges. Neste templo, há cremação de corpos nas margens do rio antecedidos por rituais fúnebres que só aos homens é permitido assistir de perto, as mulheres ficam na outra margem do templo. Aqui os nossos caminhantes perceberam haver sacrifício humano, todos os anos em homenagem ao Deus sacrifica-se um humano, escolhido por 5 sábios, acusado de ter cometido um crime. Este é entregue à má sorte nas mãos de 5 adolescentes embriagados.

Tiveram encontros fugazes com uns Sadhu, foi-lhes contada a história de casais inférteis, que vêm ao templo para procriar. Ficaram a conhecer que há doentes e idosos, enclausurados como reclusos à espera da morte, tendo muitos a infeliz sina de serem queimados vivos por estarem em coma e acordarem, despertos dizem alguns, por maus espíritos.

E foi neste clima mágico de história e filmes que os caminhantes, Mariana e João Pedro, concluíram 4 horas de reportagem fotográfica ao Nepal, sempre com os Himalaias no horizonte e um voo de regresso a Lisboa com escala em Abu Dhabi.

Equipa de Redacção da Nova Acrópole
LP

 

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