TRADIÇÃO E ARQUÉTIPOS EM LIMA DE FREITAS

No passado dia 19 de Janeiro, a Nova Acrópole Oeiras-Cascais, recebeu no Espaço Arkhé Fernando António Baptista Pereira, historiador de arte, presidente do Conselho Científico da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, tendo sido designado no corrente mês como adjunto do gabinete do Ministro da Cultura. Proferiu a conferência sobre o trabalho artístico e filosófico de Lima de Freitas: «Portugal e a Europa: tradição, arquétipos e raízes míticas em Lima de Freitas».

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Em sala cheia, o orador iniciou a conferência abordando a importância do simbolismo no percurso artístico de Lima de Freitas, através do comentário sobre o desenho do artista que ilustra o poema de Fernando Pessoa «O dos castelos», da sua obra «Mensagem», o único livro de poesia em língua portuguesa publicado em vida de Pessoa.

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar ’sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

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Todos os presentes foram depois convidados a atravessar «Os tempos do pintor», para dar a conhecer todo o percurso artístico de Lima de Freitas, que se pode resumir nas seguintes fases: neorrealista, surrealista e influências da espiritualidade oriental, geometria sagrada, antropologia do imaginário português (os Mitolusismos de Gilbert Durand), paisagem visionária, o «515».
Todas estas fases do pintor foram abordadas por Fernando António Baptista Pereira sempre acompanhadas por imagens das obras do artista, tendo sido destacadas as particularidades de cada uma das fases.
Lima de Freitas (1927-1998) foi pintor, desenhador e ensaísta e ilustrou mais de uma centena de obras nacionais e internacionais, como o «D. Quixote» de Cervantes e «Os Lusíadas» de Camões .

16939515_773958882761473_5033717632432991166_nUma das obras destacadas, que se encontra disponível para venda no Espaço Arkhé, foi o «Porto do Graal» publicado pela editora Ésquilo cujos textos e ilustrações são de cariz filosófico e esotérico estando relacionados com a «Alma Lusa» ligada à história oculta de Portugal de que era Lima de Freitas um profundo conhecedor e investigador. As suas obras de arte revelam um profundo conhecimento da tradição mítico-espiritual portuguesa que através dele se revestem de uma grande riqueza.
Lima de Freitas foi autor de inúmeras obras, incluindo murais de azulejos de que se destacam os 14 painéis na estação do Rossio em Lisboa (produzidos pela Fábrica de Cerâmica de Constância em 1995-96), que como referiu Fernando António Baptista Pereira retratam «Uma Lisboa Imaginal», em que ao longo da apresentação de cada um dos painéis foi destacando as fontes de Lima de Freitas, dos «Mitolusismos» inspirados na “tradição, Arquétipos e Raízes Míticas” de Lisboa.

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