Globalização, e a “escravatura” moderna

Cartaz_Globalizacao_NANo passado dia 31 de Maio realizou-se, na sede da Nova Acrópole de Lisboa, uma conferência subordinada ao tema – A Globalização e a “escravatura” moderna, proferida por Carla César, Licenciada em Organização e Gestão de Empresas.

Ao longo da conferência, a oradora explicou de uma forma muito directa e deu exemplos muito reveladores de como a Globalização não tem em conta o bem comum, embora ela nos seja “vendida” como algo que permite que todos os indivíduos tenham acesso ao mesmo, seja a nível económico, cultural ou social. Esta ideia é uma ilusão, porque o crescimento global não é para todos, predomina sempre o mais forte e a moral na área económica não tem qualquer importância, e onde não há moral e respeito pelo indivíduo não há equilíbrio, nem justiça e nem bem comum. Há a ideia de que se as empresas crescerem cada vez mais e se implantarem em mais locais do mundo, o crescimento global para todos estará garantido.

 

Mas afinal quem é que sai beneficiado com a globalização? Meia dúzia de pessoas que ganham quatrocentas vezes mais do que a maioria dos trabalhadores. Ou seja, na realidade, não vamos todos às compras no mesmo sítio e nem todos temos acesso ao mesmo, porque o dinheiro que levamos na carteira não é o mesmo. Assim, a ideia de um mercado global para todos não é real, no entanto, o mundo anda a reboque dos mercados, até a própria ciência. Esta move-se e expande-se de acordo com os interesses do mercado, que geram a necessidade de criar novos produtos a todo o momento.

Nunca houve tanta capacidade de produzir como nos dias de hoje, mas o crescimento sustentável das empresas não é sinónimo de crescimento sustentável para a comunidade. O grande problema é que a Globalização não assenta na ética. Só a falta de ética é que justifica os exemplos degradantes que a oradora deu. Na industria da roupa,  é comum um actor fazer um anúncio a uma marca e ganhar mais dos que os trabalhadores todos juntos de uma fábrica. Toda a nossa roupa, mesmo a de marca é feita em países como a China ou o Vietnam com mão-de-obra muito barata. Já na indústria do chocolate é comum usar-se mão-de-obra infantil. As crianças são raptadas das suas aldeias para trabalhar nas plantações de cacau. Há uma escravatura primitiva e evidente por detrás dos mercados.

A oradora prosseguiu a conferência ressaltando que para além desta escravatura mais física e material, a sociedade actual padece de uma escravatura espiritual, onde o homem não consegue progredir interiormente porque é levado a sujeitar-se a situações pouco dignas para obter trabalho. Exemplo disso são os estágios não remunerados, a ideia da empresa como motor da vida do trabalhador, a exigência de uma motivação impossível e a promoção da competição desleal entre indivíduos. Ou seja, o fim último é a empresa e não o homem e o seu desenvolvimento interior. Este panorama cria grandes fossos sociais, gera falta de gosto pela vida, e retira ao homem o sentido da vida, o sentido do trabalho e do lazer, em suma, leva à desconstrução e degradação da humanidade. Ser uma máquina não é o sentido trabalho. Este devia servir para que o homem descobrisse as suas verdadeiras capacidades e a sua utilidade para o todo. Urge criar um novo modelo onde impere a ética e a moral, e que venha suprimir as verdadeiras necessidades do homem de uma forma integral, digna e profunda.

Ver Vídeo com  Excerto da Conferência: http://youtu.be/mfThB2twvNM

Equipa de Redacção da Nova Acrópole de Lisboa
CS

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